Um dos grandes problemas da humanidade, e de mim como humano, são os momentos nostálgicos, eles sempre perduram e nos fazem lembrar momentos bons e outros nem tanto.
Lembrei-me da áurea da minha infância, das minhas coleções de gelo cosmos, das brincadeiras de pique esconde, dos meus minicarros, das brigas na escola, da minha mãe me chamando de bebê, de brincar de carpinteiro com meu avô, das viagens com o meu pai, enfim da infância.
Todas as partes da minha infância compactaram em lembranças, porém ainda perdura a pressão de não ser totalmente adulto e nem tão ignorante quanto criança, meus pais e familiares querem reproduzir em mim o que eles são ou o que não conseguiram ser, tentando, de forma inútil, criar um robozinho que obedece, compra, vota, ouve, lê e estuda o que pra eles ou pra sociedade é adequado. De ladainhas como não faça isso ou faça aquilo eu estafei. Agora eu hei de viver o que pra mim é verdade, o que o mundo e a adolescência puberba e promiscua ainda não mudou.
Vou pegar minha jaqueta de couro, meu xadrez e tênis grunge, meu cd de rock, meu violão e vou viver a minha verdade ou o que eu quero transformar em verdade, independente do que as pessoas ou minha família vai pensar, trabalharei, pagarei meus credores, conquistarei fregueses, conhecerei judeus, cristãos, ateus, brancos, negros, azuis e amarelos, heteros ou não. Vou viver do cio, do ócio e do ópio, terei amores e histórias felizes e não me venha com sua cara de semente abortada que já nasce fracassada, que eu não vou mudar de opinião.
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