terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ordem marcial

Será que a liberdade é uma bobagem?...
Será que o direito é uma bobagem?...
A vida humana é que é alguma coisa
A mais que ciência, artes e profissões.
E é nessa vida que a liberdade tem um
Sentido, e o direito dos homens.
A liberdade não é um premio, é uma
Sanção. Que há de vir.
Mario de Andrade

Rebelde com causa

Um dos grandes problemas da humanidade, e de mim como humano, são os momentos nostálgicos, eles sempre perduram e nos fazem lembrar momentos bons e outros nem tanto.
Lembrei-me da áurea da minha infância, das minhas coleções de gelo cosmos, das brincadeiras de pique esconde, dos meus minicarros, das brigas na escola, da minha mãe me chamando de bebê, de brincar de carpinteiro com meu avô, das viagens com o meu pai, enfim da infância.
Todas as partes da minha infância compactaram em lembranças, porém ainda perdura a pressão de não ser totalmente adulto e nem tão ignorante quanto criança, meus pais e familiares querem reproduzir em mim o que eles são ou o que não conseguiram ser, tentando, de forma inútil, criar um robozinho que obedece, compra, vota, ouve, lê e estuda o que pra eles ou pra sociedade é adequado. De ladainhas como não faça isso ou faça aquilo eu estafei. Agora eu hei de viver o que pra mim é verdade, o que o mundo e a adolescência puberba e promiscua ainda não mudou.
Vou pegar minha jaqueta de couro, meu xadrez e tênis grunge, meu cd de rock, meu violão e vou viver a minha verdade ou o que eu quero transformar em verdade, independente do que as pessoas ou minha família vai pensar, trabalharei, pagarei meus credores, conquistarei fregueses, conhecerei judeus, cristãos, ateus, brancos, negros, azuis e amarelos, heteros ou não. Vou viver do cio, do ócio e do ópio, terei amores e histórias felizes e não me venha com sua cara de semente abortada que já nasce fracassada, que eu não vou mudar de opinião. 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Quereres

A saudade me atormenta mais uma vez, ela traz uma melancolia metodicamente exata que me instiga a escrever, e relatar o que tive de melhor. Tive você por um tempo minúsculo - mas meu piscar de olhos ao teu lado é infinito - ainda acredito que um dia seremos um, uma força só, quero ainda incitar teus sorrisos travessos, ainda quero te ouvir dizer que o tempo é infinito se fizermos bom uso dele, ainda quero, contigo, dormir de pernas trêmulas, quero que você apareça, quero estar perto de você e de mim.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Traduzir - me

Uma parte de mim
É todo mundo:
Outra parte é ninguém:
Fundo sem fundo.

Uma parte de mim é multidão:
Outra parte é tristeza
e solidão.

Uma parte de mim
Pesa, pondera:
Outra parte
Delira.

Uma parte de mim
É permanente:
Outra parte
Se sabe de repente.

Uma parte de mim
É só vertigem:
Outra parte,
Linguagem.

Traduzir uma parte
Na outra parte
- que é uma questão
De vida ou morte-
Será arte?
Ferreira Gullar 

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

(Des)Encontro

Na noite fria que me acolhe
Na tristeza que rebenta
Meu olho te escolhe
Meu amor aumenta

No dia triste que nasce
Minha paixão dissipa
Teu coração me negaste
Meu peito palpita

Numa primavera de flores
Num dia corrido
Perdi o maior dos amores
Meu peito sofrido

Em vibratos cantantes
Do amor vivido
Meu canto dissonante
Um amor esquecido

Ciclo

Desculpa os primeiros cantos de um poeta, uma sabiá ao nascer não traz doçura nos seus cantos de amor.
Trago uma lira sem cordas; um verão, mas sem sol; uma primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço.
Tais cantos saem do coração, de vibratos doloridos que agitam os meus sonhos, de notas que o vento levou e o tempo esqueceu.
São as páginas despedaçadas de um livro não lido...
Agora despido dos véus do misterio do meu amor e da minha solidão, derramar-vos-ei os ultimos perfumes das minhas lagrimas, óh amigos recebei-a no peito e amai-a como consolo de uma alma esperançosa.

                                                                                 Alvares de Azevedo - adaptado