domingo, 28 de agosto de 2011

Num futuro pretérito

Queria ter ficado, ter esperado um pouco mais, ter sentido de ti o máximo, queria ainda acordar cedo ao teu lado e dizer: -  não amor hoje não quero ir a escola - E consequentemente de impedir de ir ao escritório, só pra ficarmos até as quatorze na cama trocando caricia e nos olharíamos e sorriríamos mesmo sem saber porque, tomaríamos o seu café, comeríamos panqueca e seriamos felizes, afinal nós nunca precisamos de muito para sermos felizes, o nosso amor nos alimentava e dispersava nossa tristeza, a noite prepararia o jantar e ascenderia as velas, tornar-nos-íamos forte depois de comer, ligaríamos pra alguns amigos pra contar que nos casaríamos e adotaríamos dois filhos, um cachorro e um coelho, você sempre gostou de cachorros lembra? Seríamos o modelo de família perfeito, uma parte complementaria a outra e seriamos feliz, teríamos liberdade, claro, nossa liberdade é sempre o que nos prende, porém foi tudo diferente, te perdi; te perdi pra mim, te perdi pro tempo, perdi pro destino, tive que sair e nem me despedir eu pude, despedidas longas são as mais difíceis e eu não teria coragem de dizer adeus, saí como quem vai voltar, agora não sei que quero voltar, te ter não é o mais importante, porém quando penso em alguém é por você que eu fecho olhos e agora eu apenas temo, temo não te ter não e não  te achar e o temo que o tempo mude mais uma vez a nossa história.

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